Uma revelação científica recente que chamou a atenção da comunidade acadêmica teve a participação de um professor do Colégio Objetivo de Maringá. Trata-se de Lucas Cesar Frediani Sant’ana, que ministra a disciplina de Geografia para os alunos do Ensino Médio. Ele é um dos profissionais envolvidos na descoberta do vespersaurus paranaensis, o primeiro dinossauro do Paraná.

Esse feito reflete no trabalho desenvolvido em sala de aula. A partir dos trabalhos realizados como pesquisador, o professor Lucas leva a experiência para os alunos. “Eu uso exemplos dos dinossauros, do ambiente que eles viviam, das relações ecológicas existentes naquele espaço para mostrar aos alunos que o espaço geográfico é mutável, dinâmico”. Segundo ele, o ser humano tem a tendência de acreditar que os fatos são lineares, mas qualquer alteração no espaço causa grandes mudanças. “As coisas na natureza são extremamente dinâmicas e cabe a nós sermos adaptáveis e resilientes a essas mudanças.”

De acordo com a diretora do Colégio Objetivo, Roseli Moreno, o instinto de perseverança de um profissional que faz esse tipo de descoberta contribui muito para a formação acadêmica e humanista de um aluno. “O fato de o Lucas ter essa personalidade de ir a fundo serve para instigar a desenvolver essa capacidade. Ele acreditou que era possível encontrar um dinossauro naquela região e perseverou nisso por muito tempo, e esse estímulo é muito valoroso.”

Em tempos de imediatismo, Roseli destaca que desenvolver a paciência é algo elementar para os jovens. “O adolescente é muito realista e quer ver tudo na hora, então um professor que o ensine a ter paciência e se dedicar a um objetivo é excelente. Esse é o valor que o Lucas representa para nós.”

A DESCOBERTA

Lucas Sant’ana explica que os trabalhos no Sítio Paleontológico de Cruzeiro do Oeste (PR) já ocorrem desde 2012, quando foram descobertos ossos de pterossauro. No entanto, o bloco recém encontrado era diferente. Após análises, em parceria com o professor doutor Max Cardoso Langer, do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), foi possível confirmar que se tratava de um osso de dinossauro.

Porém, a grande surpresa foi que a espécie encontrada era inédita. “Não era apenas o primeiro dinossauro no Paraná, como também o primeiro dinossauro dessa espécie a ser descrito no mundo inteiro. Dinossauros da mesma família só foram encontrados na Argentina e em Madagascar”, disse Sant’ana.

Segundo o professor, a novidade é relevante não só para a comunidade científica, mas também para a sociedade. “Há cerca de 90 milhões de anos, a região de Cruzeiro do Oeste era um deserto onde chovia eventualmente, atraindo animais como esse dinossauro. Isso já nos faz repensar sobre o nosso papel, se estamos preparados para a transformação climática que está acontecendo, que sempre existiu e que só estamos piorando.”

Além disso, Sant’ana apontou também o impacto da paleontologia para mostrar as evidências de evolução. “Esse dinossauro está dentro de uma árvore da vida, que nós chamamos de filogenética. Toda nova descoberta paleontológica é uma evidência da vida aqui no nosso planeta, nós vamos fechando esses elos para explicar como essa vida funciona por aqui.”

O VESPERSAURUS PARANAENSIS

Os primeiros fragmentos do vespersaurus paranaensis foram encontrados em meados de 2017. A historiadora e diretora do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste, Neurides Martins, explicou em comunicado oficial que partes da cauda e outras vértebras foram reconhecidas como o pé do dinossauro.

Em entrevista à TV Unicesumar, Max Lenger, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP), declarou que, além de ser o primeiro dinossauro do Paraná, o versperaurus é o terópodo mais completo já identificado no Brasil. “Terópodos são aqueles dinossauros carnívoros e bípedes, que incluem, por exemplo, o tiranossauro. A gente já tinha sete espécies de terópodos conhecidas no Brasil, mas nenhuma tão completa como o vespersaurus.”